sábado, 8 de outubro de 2016

O Triste Canto Bipolar das Urnas

     Eleições em 2016 com seus resultados bipolares de um lado o grande vencedor a abstenção os votos brancos os votos nulos do outro a consolidação do golpe com o poder nas bases municipais distribuído entre os partidos de direita com direito a cereja do bolo da alegria infantil pelo esmagamento do projeto de poder do partido dos trabalhadores, ou seja, refletimos como população tanto de um lado como do outro da balança uma mesma sensação de “Não estamos nem aí para o governo, simplesmente o sofremos”, um negando voluntariamente seu direito ao voto e outro mais preocupado com a vingança e o aniquilamento de um projeto político.

     As redes sociais manifestam certo ufanismo pela derrocada da esquerda nesse último episódio eleitoral, está cristalizado nas manifestações postadas um gostinho de vingança o que podemos creditar a existência de uma grande mágoa por repetidas vitórias eleitoral do time liderado por Lula, a direita festeja muito mais uma vendeta do que a alegria pela conquista do poder municipal pelos seus candidatos percebe-se assim um ar de alma lavada.

     As manifestações do pessoal da esquerda por outro lado demonstram atordoamento frente ao resultado onde em quase todos os cantos não conseguiu nem chegar ao segundo turno mesmo havendo uma clara opção pelo voto útil como em Porto Alegre, suas colocações na rede espelham que, apesar de entenderem as dificuldades do momento esperavam números melhores, um sentimento de que iniciar do zero é preciso sendo reconstruir-se no médio ou longo prazo a única opção que sobrou.

     Não nos é difícil entender o cenário que gerou os resultados, uma operação de desmonte da esquerda iniciou-se a partir da segunda vitória da presidenta Dilma admitamos trabalhada nos três poderes e com o engajamento da grande mídia no processo, no legislativo a busca da salvação individual ante sua unânime imoralidade no trato dos bens públicos viu no golpe a oportunidade de autodefesa e perdão, no judiciário elitista nação particular eternamente ocupada com o aumento dos seus privilégios no seu vazio de poder encontrou na escolha de alvos seletivos apoiado na mídia seu momento de notoriedade, no executivo esgotado em sua capacidade de construir soluções públicas sem partilhar a maior parte dos recursos na rede de cumplicidades interpartidárias corrompidas por compromissos visando tão somente à manutenção do poder.


     Canto triste sim porque repleto de desencanto possibilita a minoritária elite de sempre continuar sua espoliação predatória do que é de todos, aumentando as já enormes diferenças sociais agora com o apoio de iludidos candidatos a ascensão social manipulados pela mídia parte interessada comprometida com o espólio acrescida pela força do uso cientifico das redes de comunicação, transformaram nós todos em instrumentos uteis ao dirigir nossa luta contra alvos equivocados propositalmente plantados e assim permitir o aumento da exploração do homem pelo homem que é o único caminho da acumulação capitalista.         

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