domingo, 17 de julho de 2022

Na Real Nada Mais Somos Que Pura Ficção.

 

                Viventes somos construtores de história e como tal em momentos no tempo somos a intersecção das nossas histórias com as histórias dos outros, neste instante perdemos toda a substância passamos a ser ficção pura.

 

                Todas a imagens que buscam nos dar realidade, nada mais são do que pinturas criadas por mim e por outros com base em circunstâncias de vida até anteriores aos nossos próximos nascimentos, tal qual uma foto é a própria irrealidade.

 

                Este nosso momento de presença em histórias de vários seres humanos simultaneamente nos abre o espaço de sermos até a negação de nós mesmos, como definir qual é nossa face verdadeira, tão somente podemos duvidar de todas elas, inclusive da que acreditamos ser a nossa.

 

                Nunca de fato conseguirei separar completamente as influências as quais fui submetido, tal qual acontece comigo também ocorre com todos, o famoso ver de fora, por isso imparcial e isento é uma utopia e como tal impossível de ser alcançada.

 

                Em síntese estamos permanentemente refazendo os traços do esboço de nosso retrato, o certo é que esta aí uma obra condenada a nunca ser acabada, o que determina nossa incapacidade de sermos reais, precisamos contentar-nos de imagens ficcionais de nós mesmos.

 

                Não pensem que isto nos desmereça, apenas somos “aquela metamorfose ambulante” como tão bem definiu o criativo Raul Seixas, e assim o ser é a própria definição do existir, não parar nunca de retocar com o pincel a pintura que somos ao viver.      

 

                Também quando definimos esta tarefa como utópica não queremos desestimular sua execução, ao contrário estamos na verdade afirmando que construirmo-nos como realidade é um grande sonho a ser sempre e ardentemente perseguido.

 

                Quando dizem que não há vida se não houver sonhos, estamos frente a frente com o desafio proposto, sonhar o encontro da imagem que nos represente como real e não como fantasia nossa e de outrem.

 

                Nossa melhor obra de ficção sempre será nós mesmos, tal como uma escultura que vai nascendo da rocha. vamos descascando milhares de influências que nos escondem de nós mesmos em busca de nos revelarmos aos nossos olhos e da humanidade.   

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