Viventes
somos construtores de história e como tal em momentos no tempo somos a intersecção
das nossas histórias com as histórias dos outros, neste instante perdemos toda
a substância passamos a ser ficção pura.
Todas a
imagens que buscam nos dar realidade, nada mais são do que pinturas criadas por
mim e por outros com base em circunstâncias de vida até anteriores aos nossos
próximos nascimentos, tal qual uma foto é a própria irrealidade.
Este
nosso momento de presença em histórias de vários seres humanos simultaneamente nos
abre o espaço de sermos até a negação de nós mesmos, como definir qual é nossa
face verdadeira, tão somente podemos duvidar de todas elas, inclusive da que
acreditamos ser a nossa.
Nunca
de fato conseguirei separar completamente as influências as quais fui
submetido, tal qual acontece comigo também ocorre com todos, o famoso ver de
fora, por isso imparcial e isento é uma utopia e como tal impossível de ser
alcançada.
Em síntese
estamos permanentemente refazendo os traços do esboço de nosso retrato, o certo
é que esta aí uma obra condenada a nunca ser acabada, o que determina nossa
incapacidade de sermos reais, precisamos contentar-nos de imagens ficcionais de
nós mesmos.
Não
pensem que isto nos desmereça, apenas somos “aquela metamorfose ambulante” como
tão bem definiu o criativo Raul Seixas, e assim o ser é a própria definição do
existir, não parar nunca de retocar com o pincel a pintura que somos ao viver.
Também
quando definimos esta tarefa como utópica não queremos desestimular sua
execução, ao contrário estamos na verdade afirmando que construirmo-nos como
realidade é um grande sonho a ser sempre e ardentemente perseguido.
Quando
dizem que não há vida se não houver sonhos, estamos frente a frente com o
desafio proposto, sonhar o encontro da imagem que nos represente como real e
não como fantasia nossa e de outrem.
Nossa
melhor obra de ficção sempre será nós mesmos, tal como uma escultura que vai
nascendo da rocha. vamos descascando milhares de influências que nos escondem
de nós mesmos em busca de nos revelarmos aos nossos olhos e da humanidade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário