sábado, 11 de junho de 2022

Indecifráveis, por Habitar Cada Ego, São as Verdades do Mundo.

 

                A fé na verdade é exclusividade de quem reproduz o pensar de outro, por simples descompromisso com a vida e inevitável necessidade de muletas mentais, noutro lado vemos a constante auto releitura das suas dúvidas e necessidade de conhecimento.

 

                Prepotente é a fantasia de conhecer as verdades do outro, colamos sim rótulos nossos sobre seus ombros, sobre os quais, como contraponto, apoiamos nossas incertezas e tentamos construir nossa segurança.

 

                A verdade só existe na irrealidade de uma foto, uma lembrança de um momento que não mais sabemos como o vivemos pelo simples fato de que o novo que somos não tem como compreender o que fomos.

 

                Necessitando do outro para me testar, me avaliar, encontrar meus buracos negros, por certo não o estou lendo e sim decifrando-me a mim mesmo nesta tarefa impossível de entender-me, o que por óbvio repete-se com ele.

 

                Somos sim uma metamorfose ambulante, como dizia o nosso Raul Seixas, e como tal todos nossos dogmas nascem vencidos, vivem e morrem a cada momento em cada um de nós dentro das circunstâncias especificas ali existentes.

 

                Porque precisaríamos de mandamentos, sabedores que somos, da irreproduzível situação do existir, não há prescrição possível para o inusitado de cada acaso, temos sim que descobrir fato a fato o especial que o mesmo representa.    

 

                Tão somente esta nossa vocação lançada ao social e que impulsiona a nossa sequencia de movimentos em nós mesmos, o que descobri ontem em mim não é minha verdade de hoje e menos ainda o será amanhã.

 

                Perceber o processo vivo que somos cada um de nós é o que nos permite aceitar o outro em toda a sua plenitude, sem pretender cataloga-lo é o caminho perfeito para entende-lo sem que se necessite aderir.

 

                Óbvio que o conforto de cláusulas nos ilude como facilidade, mas sendo obrigação nos torna morto vivos, em outras palavras sabota nossa humanidade, é sem duvida uma traição nossa para com nós mesmos.

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