A fé na
verdade é exclusividade de quem reproduz o pensar de outro, por simples
descompromisso com a vida e inevitável necessidade de muletas mentais, noutro
lado vemos a constante auto releitura das suas dúvidas e necessidade de
conhecimento.
Prepotente
é a fantasia de conhecer as verdades do outro, colamos sim rótulos nossos sobre
seus ombros, sobre os quais, como contraponto, apoiamos nossas incertezas e
tentamos construir nossa segurança.
A
verdade só existe na irrealidade de uma foto, uma lembrança de um momento que
não mais sabemos como o vivemos pelo simples fato de que o novo que somos não
tem como compreender o que fomos.
Necessitando
do outro para me testar, me avaliar, encontrar meus buracos negros, por certo
não o estou lendo e sim decifrando-me a mim mesmo nesta tarefa impossível de
entender-me, o que por óbvio repete-se com ele.
Somos
sim uma metamorfose ambulante, como dizia o nosso Raul Seixas, e como tal todos
nossos dogmas nascem vencidos, vivem e morrem a cada momento em cada um de nós
dentro das circunstâncias especificas ali existentes.
Porque precisaríamos
de mandamentos, sabedores que somos, da irreproduzível situação do existir, não
há prescrição possível para o inusitado de cada acaso, temos sim que descobrir
fato a fato o especial que o mesmo representa.
Tão somente
esta nossa vocação lançada ao social e que impulsiona a nossa sequencia de
movimentos em nós mesmos, o que descobri ontem em mim não é minha verdade de
hoje e menos ainda o será amanhã.
Perceber
o processo vivo que somos cada um de nós é o que nos permite aceitar o outro em
toda a sua plenitude, sem pretender cataloga-lo é o caminho perfeito para entende-lo
sem que se necessite aderir.
Óbvio
que o conforto de cláusulas nos ilude como facilidade, mas sendo obrigação nos
torna morto vivos, em outras palavras sabota nossa humanidade, é sem duvida uma
traição nossa para com nós mesmos.
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