No céu
encoberto de uma humanidade em crise de identidade no que lhe é mais caro a sua
natureza humana, o desafio da construção do super-homem de Nietzsche aumenta
sua sedução e nos lembra sua profecia que o mundo em sua época não estava
preparado para sua “transvaloração dos valores” e que o futuro saberia lê-lo.
Quanto
mais nos aparecem salvadores tanto mais somos instigados a entender a vida como
ela é para cada um de nós, este caminho da rejeição da verdade do outro como suporte
para o meu viver, receita da muleta tão em moda no discurso dos redentores da
humanidade, realiza a construção do homem livre.
A
insanidade dos dogmas instantâneos que o momento atual estimula, por sua farsa, por sua continuada negação de si
mesma, abre o espaço para desacreditar as teses que sustentam o efeito rebanho
dos ficcionistas da verdade e nos permitem ir de encontro á vida no que ela tem
de mais belo sua permanente incerteza.
Assim
me moldo a mim mesmo como agente de uma vida particular que só eu posso
experimentar e absolutamente solitário posso cumprir minha vocação na direção
do outro andando sempre lado a lado com ele, ambos transmutados em expressões
puras e simples de próprio existir.
O comportamento
de rebanho onde a continuada exigência de atos de fé em contradição com o livre
viver aponta por todos os lados sua funesta consequência, cada vez mais vemos falta
de alegria, desanimo e depressão que ou negam o direito a existência ou
desaguam em bestial violência e como bem sabemos os dois representam o desamor
por si próprios.
Enquanto
nos distraímos com os redemoinhos provocados pelas correntes de ar das redes
sociais esquecemos de nós mesmos ao buscar lhes respostas intelectuais, esta
resposta está na rua no dia a dia que vivemos, no continuado ampliar do cuidar
de si mesmo com o carinho de quem sabe do quanto é importante amar-se.
Não
necessitamos de oráculos, não precisamos de seguidores, mais do que respostas
almejamos perguntas, abaixo a tranquilidade das verdades para que estas sejam
substituídas pelas incertezas com seu poder de nos impulsionar para
simplesmente ser vida.
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