Ontem na sala PF
Gastal (Gasômetro) foi-me oportunizado ver o filme Normal Love de Jack Smith,
abertura do Cine Esquema Novo 2014, confesso cheguei à sala de cinema
completamente desinformado, a única pista era tratar-se de cinema experimental,
e que equivocadamente imaginava serem experimentos dos dias de hoje.
Confesso, o filme
cumpriu seu papel a ponto de na caminhada de hoje de manhã que é o momento em
que escrevo mentalmente minhas futuras postagens consegui perder-me no número
de voltas feitas em torno Iguatemi, tão envolvido estava na análise do mesmo,
de cara posso afirmar, ele cumpriu seu objetivo, pelo menos quanto a mim, que é
fazer-me pensar.
Claro além do
próprio filme, havia algumas provocações adicionais:
- Primeiro minha completa ignorância do tema, pois sou desde
sempre apenas um grande frequentador de salas de cinema, hábito este adquirido
já quando criança nos dias de calor com as portas abertas do cinema, sem ar
condicionado, poder sentar no muro de dois metros da minha casa no interior do
RS e ver todos os filmes, todas as noites, e como adolescente, já em POA, viver
a época de ouro do cinema autoral com Glauber aqui, Fellini na Itália e tantos
outros contemporâneos pelo mundo todo.
- Depois a própria etiqueta experimental que, como o termo
bem o diz, sempre representa um desafio para quem faz e para quem vê.
- Finalmente o
interesse de um pesquisador e especialista de cinema em saber minha opinião
sobre o mesmo, possivelmente para ter o contraponto com os pensamentos da
comunidade do cinema.
De início a
surpresa foi o diálogo formado só por imagens e sons, o que sempre torna tudo
mais difícil para quem filma e para quem vê, porém, muito mais rico abre todo
campo para a imaginação e te permite passar teu próprio filme.
Gostei muito da
fotografia, as transformações interagindo com a natureza e os seres humanos, se
viam duas palmeiras à medida que a câmera se movimentava já era uma pessoa, e
no passo seguinte um novo ser se revela, as pessoas e a vegetação se
misturavam e se confundiam em diferentes figuras.
Quanto ao som não
pude casá-lo com a imagem, me agradou como som, apesar de um pouco alto demais,
porém não vi completude em relação às imagens, certamente por incompetência
minha sou da geração de melodias simples com letras fortes, não tenho cultura
musical apesar de concordar com o pessoal do século XIX que colocava a música
como arte primeira e mais pura e gostaria de escutar suas frases como os
personagens de Proust.
A mensagem
recebida, uma grande viagem (com ou sem aditivos químicos), comum à época, pela
integração do homem com a natureza, nossa relação intimista com ela, uma
espécie de jardim do Éden atualizado, sem esquecer a relação entre a serpente e
a mulher chavão que hoje definitivamente está no politicamente incorreto e a
referência sempre atual aos sacrifícios humanos exigidos pela barbárie da guerra,
aí sim cada vez mais tema politicamente correto.
Não há uma linha
direta entre o pensamento do cineasta e do assistente, isso é sabido, certamente
vi um filme muito diferente do que ele filmou ou quem sabe o mesmo, pois como
vim a descobrir agora este filme é de 63, isto é da minha geração, o que pode
aproximar-me dos sentimentos que o mesmo quis expor.
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